terça-feira, 27 de março de 2012

Como Desintoxicar Guerreiros Cansados Demais de Batalhas!

Um dia você se torna um guerreiro, mas não é um guerreiro qualquer é um guerreiro impecável, um guerreiro consagrado aos Deuses e por isto não precisa de armaduras, pois os Deuses o protegem... Ser um guerreiro impecável não tem nada a ver com combates exteriores, e sim com uma busca pessoal, tornou-se um guerreiro com o objetivo de ter um compromisso maior com seus atos e para ir em busca de si mesmo... Este tipo de guerreiro enfrenta três inimigos, cada um pior que o outro:- O medo (pois estará indo por caminhos que nunca buscou antes e de frente com o desconhecido, terá que conhecer sua luz e igualmente conhecer sua sombra, de modo que nada possa assustá-lo ou admirá-lo, não se comove nem com os seus vícios nem com as suas virtudes, assim não fica a se lastimar e nem tão pouco a se vangloriar) a regra do guerreiro impecável é simples; fazer para os outros o que gostaria que fizessem para você, e não fazer para os outros o que não gostaria que fizessem para você (reside nisto o segredo do seu poder)... Um guerreiro impecável não faz nada por reconhecimento ou em troca de algo, faz porque tem que ser feito (simples assim), os outros podem reclamar de sina, benção ou maldição, mas o guerreiro impecável chama de desafio.... O Segundo inimigo "A clareza" achar que sabe esgota toda a possibilidade de aprendizado, estagna e paralisa toda a possibilidade de conhecimento, achar que sabe te impede de aprender mais e isto é pior que a morte...  Sabe que a morte é a sua eterna caçadora e sua fiel companheira, esta sempre a sua esquerda é e a melhor conselheira que alguém possa consultar, basta que ela estique o braço para te levar... o guerreiro impecável sabe que não é eterno, e sabe também que não há um dia depois para corrigir suas falhas, ele tem que agir em cada dia da melhor maneira possível... Impecabilidade dá um poder incrível e o torna invulnerável... O terceiro inimigo é a vontade de descansar, o sentimento que já fez tudo que poderia e que não suporta fazer mais nada, este inimigo é terrível ele mina todas as forças, apaga os sonhos e os planos e é o mais cruel de todos... Mas para um guerreiro cansado, não porque foi vencido pelo terceiro inimigo e sim por estar ferido demais, existe o descanso forçado do guerreiro, nos primórdios quando um guerreiro muito poderoso se encontrava ferido, ele era forçado a se recuperar! Ficava cercado de belas mulheres ou belos homens quando eram mulheres, com muita animação e muita diversão até que estivessem totalmente recuperados... era assim que se fazia... mesmo que ele quisesse continuar lutando, não deixavam até que estivesse forte novamente.... Moral da história; o modo de se desintoxicar das batalhas é aproveitar intensamente a vida, desencanar das batalhas até estar forte de novo, divertir-se a moda dos gauleses, este tipo de coisa fica bem ilustrado em Asterix, com as festas que fazem para recebê-los.... depois de cada aventura... Regra geral o guerreiro antes de qualquer coisa tem que ter a insustentável leveza de ser... e a habilidade de ser feliz por nada... pois seu único medo é que o céu desabe sobre sua cabeça rsrsrs... afinal um guerreiro deve ser irredutível  do começo ao fim...  

Marise Lima Muniz

quarta-feira, 14 de março de 2012

Relatividade

O tempo rastejava
O tempo voava
O tempo rodopiava
Sentia Vertigem
Achava graça de tudo
Sem nunca se cansar

O tempo acreditava
Na esperança
O tempo esperava
Pela Justiça
Que nunca veio
Com o tempo se encontrar

O tempo passava
E tudo continuava
O tempo chorava
E não adiantava

Alguém disse
Que viu... o tempo passar
O tempo passou
Sem nada solucionar

O tempo soluçou
E a tristeza
Veio consolar

O tempo parou
Esperou
A esperança voltar

O tempo correu
E não deixou
A tristeza lhe alcançar

O tempo não existe
O tempo não desiste
Se a tristeza lhe pegar

O tempo chorou
E ninguém conseguiu
Sua lágrima secar

O tempo acabou
E deixou tudo no ar
Nenhuma resposta
Nenhuma palavra

Todos os enigmas
Continuam lá
Onde o tempo
Não conseguiu chegar

Marise Lima Muniz
(14/03/2012 – 05h30min)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Noite

A noite chega
E acorda
O meu espírito
Acalma a minha
Alma
Descansa
O meu corpo
Na noite
Eu respiro
Na noite
Eu desperto
E me despeço
Do sufoco
Do dia
Na noite
Eu me encontro
A paz me domina
Tira o peso
Das marcas
Do dia
Na noite
Eu me lembro
Quem sou
No dia
Eu esqueço
Na noite
Conheço mundos
Que o dia
Ocultou
Na noite
Encontro respostas
Que o dia
Roubou
A noite 
Me devolve
Tudo
Que o dia
Levou.

Marise Lima Muniz

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Espreita


Perdi a chave
A gaiola está trancada
Olho fixamente para o gato
Ele lambe a boca
E me fixa também
Eu choro de medo
Mas chorar não adianta
Estou sem a chave
Quem sabe o gato pegou
Não posso dormir
O gato espera que eu durma
O gato sorri satisfeito
Com o meu sono
Sorriso felino... traiçoeiro
Ele ronrona... Uma suave canção
O sono vem
E o gato tem a chave
Não preciso da chave
O gato comeu meu corpo
Mas se engasgou com a
Minha alma
Meu espírito o sufocou
O gato morreu
Mas eu sempre estive livre
Minhas penas ficaram
Na boca do felino
Mas o coração
Fugiu para sempre
O gato morreu
Mas eu estou aqui em cima
Olhando seu corpo estirado
Através da porta aberta
Da gaiola
Com a chave na mão...
(15/07/1992)

Marise Lima Muniz 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Grito Mudo


Eu sempre me convenci
Você tem que enfrentar tudo
Você não pode fugir nunca
Meu Deus! Como eu quero!
O direito de fugir
O direito de jogar tudo
Pro alto
O direito de sumir
Olho a minha volta
E vejo as pessoas
Levando a vida como querem
E me vejo aqui parada
Engolindo tudo
Engolindo seco
Espinha de peixe
Atravessada na garganta
Furando, vazando pelo pescoço
Não posso nem gritar
Lágrima escorrendo
Grito mudo da garganta.
(06/07/1992)

Marise Lima Muniz

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Luz e Sombra


Fico vagando
Como uma sombra
Procurando lugar para ficar
Pousar e envolver
Não me identifico mais
Mudo minha forma
A cada mudança de luz
Se a luz for muito forte
Corro o risco de sumir
Vida de sombra
Vida sombria
Sombria rima com fria...
Solidão sombria... fria...
Vida de sombras
Sombras sem vida
A sombra assombrou a vida
Crio a ilusão da imagem inversa
Imagino que o reflexo da sombra
Poderia ser luz
Poderia ser azul
Poderia ser negro
E no negro, também sumir...
(06/07/1992)

Marise Lima Muniz

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Fábula da Mentira


No mundo dos animais racionais, a Mentira reinava imponente, e conhecia de cor as desventuras da Verdade, séqüitos nunca lhe faltavam, e todos eram honestos, todos eram leais, todos tinham ética e todos tinham moral ilibada. A vaidade era eternamente jovem, falava aos quatro ventos o que jurava ser sua idade. O orgulho contava seus feitos, e a mentira prontamente aprovava.
Ela reinava absoluta, era dita e bendita como socialmente aceita, todos a justificavam, todos eram condescendentes, afirmavam que de fato era necessária.
       Neste reino absoluto, todos acabaram esquecendo quem eram; preocupados demais com o que os outros achavam deles, com medo demais de saber quem realmente eram, pois  a raiz da mentira, é justamente mentir para si mesmo, o resto é conseqüência desta ausência da verdade.
De repente mentiam tanto sobre si mesmos, que já não gostavam do próprio rosto, e cobiçavam o rosto de alguém, nas redes sociais eram sempre virtuosos, eram sempre generosos e engajados, mas quem sabe, quem pode ter certeza, deste esquecimento coletivo, destas diferenças renegadas.
Não é a verdade que magoa, é como se fala dela, mas este era um motivo a mais, com o qual a mentira comprazia-se, desta deselegância brutal dos ditos donos da verdade.
O grande conselheiro da mentira é o julgamento, o horror abissal de ser julgado, a contrapartida da falta de medida para julgar os outros.
Mas quando um Império tirano atinge seu ápice, principalmente um império que a todos calou, corações sonham com sua derrocada, e pouco a pouco, nasce à vontade de ser diferente, e o direito inafiançável de ser quem de fato é, e ser aceito como tal, e a contrapartida de aceitar os outros como são.
Mas haverá um dia no reino da mentira, sinto que todos sonham com este dia, o dia em que todos serão verdadeiros, sem medo e sem julgamentos. O dia que cada um poderá reconhecer os seus atos, e falar deles sem vergonha. Não mais um mundo de vitórias e fracassos, um mundo de aparências, mas sim de valores e de consistência, um mundo aonde os animais racionais, assumem o verdadeiro significado de ser humano, este será na Verdade o maior sonho humano, e com certeza o maior pesadelo da Mentira.

Moral da história: No dia que todos aceitarem as diferenças, a porta da verdade se abrirá, e pela mesma porta a mentira saíra.

Marise Lima Muniz